Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo.
José SaramagoCada equipe, mediante sua tarefa (no post deste blog destinado a questões das 5 equipes = Atividades) deverão ler esses artigos e identificar o que pede sua atividade.
Entrega ate domingo 03/11 as 15 hs via email nathaliagreen2014@gmail.com OK ?
Boa leitura e discussão.
Texto 1
Cachaça: os segredos da fermentação
Estudo da levedura envolvida no processo ajuda a melhorar qualidade da cachaça
Por: Carlos A. Rosa, Fátima C. O. Gomes, Carol L. C. Silva, Fernanda Badotti, Cristina R. Viana e Roberta A. C. Araújo
Publicado em 15/11/2007 | Atualizado em 06/11/2009
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Texto 2
Dá-lhe cachaça
Pesquisadores desenvolvem aguardente de laranja a partir de rejeitos industriais. O novo produto pode chegar ao mercado nacional em três anos.
Por: Henrique Kugler
Publicado em 03/09/2013 | Atualizado em 03/09/2013
Instalações do Centro de Pesquisa da Cachaça, da Unesp, onde pesquisadores aproveitam rejeitos da produção de suco de laranja e de cerveja para produzir uma nova aguardente. (foto: Unesp/ Centro de Pesquisa da Cachaça)
Pinguço, pau-d’água, ébrio, chumbado, beberrão. A língua portuguesa é riquíssima em adjetivos para designar aquele amigo que é, digamos, dado aos prazeres do álcool. Bebaço, bebum, biriteiro, borracho, caneado, xumbregado e por aí vai. Dá até para fazer poesia. Mas, poucos sabem, por trás da cachaça também há ciência, e os adeptos da cultura etílica devem se animar com a novidade: pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, desenvolveram uma nova bebida alcoólica que promete conquistar paladares – é a aguardente de licor de laranja.
Após uma década de estudos, o químico João Bosco Faria, do Centro de Pesquisa da Cachaça, da Unesp, mostrou que é perfeitamente viável elaborar uma bebida aproveitando rejeitos da produção de suco de laranja (o bagaço da fruta) e de cerveja (a levedura). “São duas indústrias nacionais com grande volume de produção; e o aproveitamento desses descartes é vantajoso do ponto de vista mercadológico e elogiável do ponto de vista ambiental”, diz Faria.
A receita do novo produto é segredo – devidamente patenteado pela Unesp. Mas, em linhas gerais, não foge muito do convencional. Primeiro, o bagaço é prensado. Dele obtém-se um líquido, tecnicamente chamado de licor de laranja, do qual será feita a aguardente. Esse licor é armazenado em tanques metálicos e, em seguida, fermentado com as leveduras reaproveitadas da indústria cervejeira. “A levedura é o microrganismo que transforma o açúcar em álcool”, explica o químico.
“Se pudéssemos aproveitar todo o volume de rejeito das indústrias de suco e de cerveja, poderíamos quase dobrar a produção nacional de aguardente”
O próximo passo é a destilação. E, na sequência, a bebida é envelhecida em tonéis de carvalho. “Para aguardentes em geral, o período mínimo de envelhecimento deve ser de dois a três anos”, revela. “O produto envelhecido fica mais encorpado, com uma textura diferenciada, pois a madeira retém algumas substâncias do destilado e libera outras de sua estrutura, favorecendo a formação de compostos que dão sabor à bebida.”
Mas seria mesmo a tal aguardente, feita com resíduos industriais, saborosa? “Sem dúvida”, garante Faria. Testes sensoriais conduzidos ao longo dos últimos anos confirmam sua aprovação. A ideia é que tanto pequenos produtores quanto grandes indústrias possam se beneficiar do processo desenvolvido na Unesp.
O químico estima em três anos o tempo para que o novo goró chegue ao mercado nacional. E ambiciona: “É crescente a demanda por exportações”. A propósito, o Brasil produz hoje cerca de 1,3 bilhão de litros anuais de cachaça. “Não mais que 1% é exportado; ou seja, bebemos quase tudo por aqui mesmo”, brinca Faria. “Se pudéssemos aproveitar todo o volume de rejeito das indústrias de suco e de cerveja, poderíamos quase dobrar a produção nacional de aguardente”, estima o pesquisador.
Água que passarinho não bebe
Especialistas advertem que não se deve chamar de ‘cachaça’ qualquer bebida alcoólica similar. Segundo os que zelam pelo rigor do jargão etílico, ‘cachaça’ é designação exclusiva do destilado de cana-de-açúcar produzido no Brasil. Todo o resto é aguardente. Algo similar ocorre com o termo ‘champanhe’, que, apesar de ter virado denominação genérica, refere-se em particular a uma bebida produzida na região homônima, no norte da França.
Na elaboração de bebidas alcoólicas, são duas as principais etapas: fermentação e destilação. Bebidas fermentadas – como vinho e cerveja – geralmente têm teores alcoólicos entre 5% e 12%. E a maioria das bebidas destiladas – como cachaça, vodca, uísque e rum – tem teores alcoólicos em torno de 40%.
Aos não iniciados, pode-se dizer que fermentação é o processo no qual o açúcar transforma-se em álcool (aliás, por isso o escritor estadunidense David Rains certa vez gracejou: “a fermentação foi a maior invenção do ser humano depois do fogo”). E destilação é, grosso modo, um método usado para tornar o produto mais concentrado. Nos alambiques, o álcool e os demais compostos voláteis são separados do líquido fermentado. E, na sequência, são reconduzidos ao estado líquido. Resultado: uma bebida mais concentrada e com maior teor alcoólico. “Alguns drinques são destilados uma única vez; mas outros requerem duas destilações”, diz Faria.
É o caso da nova aguardente de licor de laranja da Unesp, que é bidestilada. Uma garrafa dessa nova bebida deverá custar em torno de R$ 20 – podendo atingir valores bem mais ‘sofisticados’ no exterior.
Especialistas advertem que não se deve chamar de ‘cachaça’ qualquer bebida alcoólica similar. Segundo os que zelam pelo rigor do jargão etílico, ‘cachaça’ é designação exclusiva do destilado de cana-de-açúcar produzido no Brasil. Todo o resto é aguardente. Algo similar ocorre com o termo ‘champanhe’, que, apesar de ter virado denominação genérica, refere-se em particular a uma bebida produzida na região homônima, no norte da França.
Na elaboração de bebidas alcoólicas, são duas as principais etapas: fermentação e destilação. Bebidas fermentadas – como vinho e cerveja – geralmente têm teores alcoólicos entre 5% e 12%. E a maioria das bebidas destiladas – como cachaça, vodca, uísque e rum – tem teores alcoólicos em torno de 40%.
Aos não iniciados, pode-se dizer que fermentação é o processo no qual o açúcar transforma-se em álcool (aliás, por isso o escritor estadunidense David Rains certa vez gracejou: “a fermentação foi a maior invenção do ser humano depois do fogo”). E destilação é, grosso modo, um método usado para tornar o produto mais concentrado. Nos alambiques, o álcool e os demais compostos voláteis são separados do líquido fermentado. E, na sequência, são reconduzidos ao estado líquido. Resultado: uma bebida mais concentrada e com maior teor alcoólico. “Alguns drinques são destilados uma única vez; mas outros requerem duas destilações”, diz Faria.
É o caso da nova aguardente de licor de laranja da Unesp, que é bidestilada. Uma garrafa dessa nova bebida deverá custar em torno de R$ 20 – podendo atingir valores bem mais ‘sofisticados’ no exterior.
Texto 3
Pão e química
Pesquisadores do Rio Grande do Sul usam os saberes populares da panificação para abordar temas como densidade das substâncias e fermentação com alunos do ensino médio.
Por: Ana Carolina Correia
Publicado em 15/02/2012 | Atualizado em 15/02/2012
A produção artesanal de pão em cidades do interior gaúcho inspirou pesquisadores na elaboração de material para ajudar no ensino de química. (foto: Venquiaruto et al)
Meio quilo de farinha de trigo, 15 gramas de sal, 20 gramas de açúcar, uma colher de sopa de margarina, 15 gramas de fermento e um pouco de água. Receita de um pãozinho francês? Que nada! Esses são os ingredientes para uma aula de química.
Um grupo de pesquisadores do Rio Grande do Sul acompanhou a produção artesanal do pão a fim de utilizar esse conhecimento popular para ensinar química a alunos do ensino médio.
Inicialmente, quatro produtoras rurais com mais de 60 anos, descendentes de italianos e moradoras de diferentes cidades gaúchas – Itatiba do Sul, Barra do Rio Azul, Quatro Irmãos e Erechim – foram entrevistadas e acompanhadas durante cada etapa da panificação, desde o preparo do fermento até o momento em que a massa vai ao forno.
Um grupo de pesquisadores do Rio Grande do Sul acompanhou a produção artesanal do pão a fim de utilizar esse conhecimento popular para ensinar química a alunos do ensino médio.
Inicialmente, quatro produtoras rurais com mais de 60 anos, descendentes de italianos e moradoras de diferentes cidades gaúchas – Itatiba do Sul, Barra do Rio Azul, Quatro Irmãos e Erechim – foram entrevistadas e acompanhadas durante cada etapa da panificação, desde o preparo do fermento até o momento em que a massa vai ao forno.
Algumas tradições das cozinheiras na produção do pão dialogavam diretamente com conhecimentos científicos já estabelecidos
“Depois dessa primeira etapa, retornamos com um recorte da transcrição das falas da entrevista, para sanar dúvidas que ficaram pendentes”, explica Luciana Dornelles Venquiaruto, química da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) e coautora do artigo que descreve a iniciativa, publicado na revista Química Nova na Escola.
“Observamos no decorrer da parte empírica da pesquisa que os saberes cotidianos são, muitas vezes, similares aos saberes que a
Academia
produz, mas precisam passar por uma transposição didática para se tornarem saberes escolares”, afirma a química, acrescentando que é possível inserir em sala de aula conhecimentos que vão além dos tradicionais. Do forno ao laboratório
Com os dados em mãos, os pesquisadores passaram para o laboratório, onde desenvolveram cinco experimentos que relacionavam o uso das técnicas utilizadas pelas produtoras de pão com princípios químicos.
“As atividades propostas destacam particularmente os efeitos da temperatura e da concentração dos ingredientes sobre a velocidade da fermentação e a densidade da massa”, enfatiza Venquiaruto. As experiências permitem que o aluno visualize como os processos químicos ocorrem e, consequentemente, compreenda melhor os conceitos por trás deles.
Em uma das atividades, duas garrafas PET de 600 ml devem ser cortadas e preenchidas cada uma com três colheres de fermento químico e duas de açúcar. Depois, o aluno deve acrescentar água em duas temperaturas diferentes – cerca de 12 ºC em uma garrafa e 33 ºC na outra – e fechá-las com uma bexiga.

- O hábito de colocar a massa para descansar perto de uma fonte de calor é explicado pela química: a temperatura alta acelera a velocidade da fermentação. (foto: Venquiaruto et al)
Esse experimento simula os dias de inverno no Rio Grande do Sul, onde a temperatura beira os 12 ºC, e o calor que emana do fogão, onde as cozinheiras têm por hábito deixar a massa descansando em dias de frio. Ocorre que, durante o processo de fermentação, acelerado em temperaturas mais quentes, há a liberação de gás carbônico. Dessa forma, na garrafa que recebeu água a 33 ºC, o gás será liberado mais rapidamente e a bexiga encherá primeiro.
Outra atividade proposta é algo que as produtoras de pão fazem para saber se a massa já está pronta para ir ao forno. O aluno deve colocar uma bolinha de massa em um recipiente com água. A bolinha afundará, já que sua densidade é maior do que a da água. Porém, quando o fermento faz efeito, a bolinha sobe para a superfície. A explicação é simples: quando a fermentação ocorre, a bolinha se enche de gás carbônico e aumenta de volume, o que diminui sua densidade. Então, ela flutua.
Para as produtoras artesanais, esses e outros ‘truques’ de cozinha ajudam no preparo de um produto de qualidade. Para professores e alunos, eles são sinal de pura química e podem ajudar a tornar mais dinâmico o ensino dessa disciplina.
Ana Carolina Correia
Ciência Hoje On-line
TEXTO 4
Os limites da vida
Bactérias encontradas debaixo de geleira vivem sem oxigênio e luz há mais de um milhão de anos
Por: Isabela Fraga
Publicado em 16/04/2009 | Atualizado em 19/10/2009
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